My world. My words

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João Pessoa, PB, Brazil
Assim como o mar: Certos dias, sou calmaria; Noutros, intensidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Estranha e doce espera

É estranho eu esperar pra ter nos braços alguém que está agora mais perto do meu coração. E arrumar nosso lar aqui pra te receber enquanto você mora em mim. Essa espera é sentir uma saudade quase doída de alguém que ainda nem vi, mas já conheço. É como aguardar ansiosa um postal de um amigo de longa data que sempre esteve no meu quintal. É saber que não importa o quanto chova hoje, que amanhã vai ser um dia de sol.

É aquela música que eu sei cantar sem nunca tê-la ouvido. Justo eu, sempre correndo tanto contra o tempo! Hoje, apenas sinto ele passar por mim... E ele bate suave nos meus pés como onda mansa. Confesso que caminho um pouco apreensiva, um tanto desajeitada aqui e ali, abrindo as asas, arrumando o seu ninho e eu, justo eu, que nem sei ainda voar!
Esperar você é olhar uma moldura sabendo que um dia uma obra de arte estará ali. É seguir por um caminho que nunca passei, e mesmo assim ter a certeza de que não importa aonde for, a partir de agora estamos indo para a casa.

terça-feira, 19 de julho de 2011

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Hábito

E qual é o mal em contestar tradições? O mal estaria apenas em contestar hábitos, coisas que não temos acesso e que seria apenas justa, a falta de contestação. Fugir da chuva. Tal covardia sempre desce em nossas mentes na sensação da primeira gota. Correndo, achando que chegaríamos a algum lugar, e sem sabermos que uma hora iríamos secar. O desespero daquele litro que nos molha é inválido em relação ao nosso medo de nos molhar. Corramos do céu que nunca iremos escapar. Nós mesmos. Hábitos não passam de segredos em que não há vontade de serem contados, ou ações encobertas pela vergonha de parecer um estranho. Mas para a felicidade das exceções, vivemos em uma terra de estranhos, onde não conseguimos interpretar nenhum olhar, dos trinta, que nos serviram como espelho ao longo do dia. Aquele “gosto de você ”- que recebeu há meses, horas, segundos atrás -, pode ser considerado agora uma piada, ou apenas um hábito. Por isso, deveríamos contestar sim! Contestemos os hábitos que se tornaram tradições globais, que nos envolvem sem nos pedir licença, e que nos largam sem dizer adeus. Consista em ser justo consigo mesmo. Já temos diferenças demais para criarmos uma que seria irreparável. Não obrigue ninguém a se sentir melhor do que realmente se sentiria, a falsidade da palavra e a indiferença do olhar já derrubou impérios, agora, derruba corações.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Um amigo meu disse que eu...

Deveria pensar mais a respeito do assunto, já que também sou adulta. E que são nessas exatas situações que podemos saber quem realmente tem esse dom: o de expressar a magnitude da força interior e raciocinar. Na hora não quis contrariá-lo, ele estava tão empolgado com seu magnífico discurso irredutível que deixei passar. Não deveria. Acabou por ir embora todo sorridente, um sorriso cheio de razão. Com aquele sorriso, fruto de quem pensa que sabe, e não sabe. Não que eu saiba tudo sobre mim, ao contrário, mas, pelo menos não fico rindo à toa, cheia de falsas verdades ou razões.
Já outro amigo me falou que não é nada disso, que para nos conhecermos, ou conhecermos o próximo é preciso tempo, silêncio e observação. Coisas quase improváveis nos tempos apressados e barulhentos de hoje. Concordei em parte, mesmo porque, acho tão pouco somente o tempo, silêncio e observação em se tratando de autoconhecimento. Imagine, então, conhecer o outro.
"É preciso mais" - disse-me um outro amigo, certa vez, apenas com o olhar - , ainda que não soubesse conceituar esse dom; ele vivia a maturidade com todas as suas forças, talvez porque vivesse todas as outras coisas da vida com a mesma intensidade. Não era, tão somente, um amigo que estava alí. Alí estava uma pessoa inteira. Um homem com vida própria, sabedoria de seus anseios mais simples, consciente de que na vida, além de escolher; é preciso resignar-se das perdas naturais, e quem sabe até: necessárias!
Na foto: Lya Luft

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Olhe,

Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calma e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente mas profundamente colérica, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo.